segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Juízo Perdido

"Fúria, por que eu? A que viestes demônio da tormenta e discórdia? Minha fraqueza é sua luxúria? Tens rido de mim há dias, talvez meses! Intensificastes sem dó ou remorsos um animal dentro de um corpo humano que tem se desprovido aos poucos de sua própria alma deixando dominar a sua!

Calma, por que se afastas sem ao menos olhar pra trás?
O que lhe fiz de mal para que me abandone deixando que essa Besta insana se apodere de mim?

Paciência, tenho percebido uma angustiante contagem regressiva em você, Como uma ampulheta, onde a parte de baixo já está ao topo, terminando de recebe la esgotando seu final para um lado sem volta.

A cada dia que passa meus pensamentos se tornam mais altos que os sons e vozes ao meu redor... Significa isso estar chegando a tão temida hora?
A loucura?
Todos esses anos ela me rodeia, se achegando, se aconchegando... Tomando um lugar que parece ter nascido predestinado a ser seu.
O que tenho a fazer nesse caminho sem volta? Abraça la? Deixar a Besta furiosa dominar me e sempre lhe usar como defesa?
Ou simplesmente andar de mãos dadas, caminhando para o silêncio?"

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Quando os pensamentos ecoam mais alto


A solidão é algo engraçado. Não precisa estar sem ninguém por perto para se sentir solitário, basta não ter ninguém que te ouça. Não me refiro a ouvir palavras ditas, refiro a ser compreendido.
Acho que fui uma pessoa solitária quase que a vida toda. Disseram me uma vez que minha mãe sofreu tanto no parto da minha irmã mais velha que ela não conseguiu ficar feliz com minha concepção... foram além, e num momento de maldade me disseram também que ela foi pega tentando fazer um chá abortivo para me tirar. Pois bem, essa estorinha dizem ter sido escondida de mim porque eu ia ficar “traumatizada”, e que eu já era “revoltada” ia ficar muito mais.
Gente, nunca me senti inferior nem por isso nem por nada! Só acho que sempre tive o que merecia. E se tinham mais ou menos privilégios que eu, também seria por merecimento. E estranho, pois sempre tive esse sentimento de justiça desde que me entendo por gente.
Revoltada tenho certeza que sou mesmo. Mas minha maior e mais velha revolta da vida é exatamente o fato de nunca ter sido realmente compreendida. Como pode uma pessoa pensar tão coerentemente mas se expressar completamente diferente¿ Sempre tive dúvidas se sou eu que não explico direito ou se as pessoas que não me entendem. Daí então passei a duvidar da minha sanidade mental.
A cada dia que passa, o exterior a minha mente tem menos importância para mim. Aqui dentro tudo se encaixa, estórias, palavras, explicações, casos, tudo dá certo, tudo acaba bem. E cada vez mais coisas mirabolantes são acrescidas. Aqui vive todos os personagens da minha vida real, mas sabe de uma coisa¿ Aqui dentro eles me escutam. Sentam em adoráveis poltronas tomam um delicioso refresco preparado por mim, e conversamos todos juntos horas a fio! Minhas palavras fluem numa facilidade incrível. Todos me olham atentamente e degustam cada palavra, sentem o sabor delas veem as cores diversas de cada letra, aspiram calmamente o cheiro de todas sentenças.
Na maioria das vezes só escutam, mas vejo a compreensão em seus olhos. Outras vezes fazem perguntas, muitas delas. A cada resposta, nasce um novo argumento, um novo assunto, e converso a noite toda! Até amanhecer. E todos continuam atentos. 
Aqui dentro nunca estou errada. E cada vez menos quero sair.


Do lado de fora o silêncio tem sido cada vez maior.